Eu azarado

Eu azarado tropiquei,
Agora invalidado, várias vozes disseram: - você, - eu disse ei!
Vozes culturalmente construídas, as ouvi, as escutei.
Falas faladas, descritas e ditas,
Minha voz é feita de muitas vozes construtivas,
Em meio as vozes depreciativas.
Constituída de outras falas, guiadas e conduzidas,
Vozes, Vozes, Vozes, e falas
Que me antecedem, que escuto, que me recordo e digo.
Posso ouvir algo dito, cuspido, bemol, retrocedido,
Ora contado e vivido por um ascendente.
Ouço um grito, um berro, um gemido,
Uma outra pessoa, eu ouço novamente o que já havia sido dito.
Eu surro, eu surrado, eu mulato, eu trabalhador que madruga agora acordado.
Outros muitos trabalhadores, uns que carregam coragem, outros que sucedem cargos,
outros tantos paz em si, outros amor, outros tiranos,
Opressivos, outros silêncios súbitos, que irrompem, em meio a falas,
Discursos suaves, cansadas e mansas, tentativas breves, de um convencimento vão,
Em uma sociedade ocultamente vivenciada, vivida e reproduzida, que não rompe
por medo das ações opressivas. autoritárias e as vezes aparentemente amigas.



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