Eu ouvi dizer que existiu em um lugar longínquo um amor, concebido puramente pela força do desejo, desejo este de esquecer alguma lembrança doída que não momentânea, entre dois humanos que sem nunca antes terem se visto, e nem previsto se encontraram. Como que, alguém houvesse marcado data e horário, sem nenhuma pretensão, e que por disposição se entregaram a encontros, passeios, sucessivos desejos. Uma vontade de esquecer que suplantava alguma coisa que já oculta aparecia vez ou outra na fala daqueles seres. Tudo isso em algum lugar ao norte geográfico, lugar quente, úmido, abafado, que até então, não fosse pela beleza, não parecia ser propicio e nem romântico a situação, lugar muito mais de paisagem, de miragens, de conversas e histórias do que de quem procura qualquer encontro, ou situação, menos a um encontro, uma relação e que sem combinados e nem previstos, acaba por ser um encontro em meio a alguma fuga oculta que só sabe quem esquadrinha os corações. Naquele instante suscitaram-se duas vontades, que suscitaram pensamentos, ações, abraços, carinhos e afetos, entrega, consolo, desejo... O ato já concebido, concretizado, pareceria então ter acabado, findado, aquele oculto sentimento que aparentemente teria desaparecido. Mais era apenas aparente, algo momentâneo, um pouco de tempo de descanso, ilusão. Um amor de verão "inverno" que não sobe e nem desce montanha, que se oculta por trás das escarpas e serras, lugares que provavelmente ainda retenha calor dos corpos que ocuparam-se, por um pouco de tempo aquele espaço, e que ainda abrigam e testemunham acontecimentos, lugares testemunhos de ações, de situações e pensamentos, que agora já nem mais existe, que já não mais é, e ainda só ainda subsiste e resiste no coração para aquele que foi significativo aquela acontecimento.
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