Partida
Fulgentes olhos despretensiosos e enfastiado que sustentam o rosto
abandonado pelo tempo que a ninguém perdoa, e que por muitos não o é percebido.
Já não existem esperas e nem mesmo chegada, e a tão desejada revolução
que pacientemente aguardavas, foram temporariamente vermelhas, todavia neste
presente, agora findadas.
Escorro consubstanciando-me em água, vertendo em outros olhos, que me
veem e que passam o que em mim era sagrado, e que outrora era razão de minha
vida, perdido, e deixado pelos cantos, abandonado pelas ruas, em outros corpos,
murais e avenidas.
A virtude que trazia junto à robustez de minha juventude se perdera na
musculatura de meus braços, agora trêmulos, cansados e flácidos.
Sou apenas memória taciturna do que fui e que agora resta de um tempo que passou.
Sou apenas memória taciturna do que fui e que agora resta de um tempo que passou.
Daqueles que acreditavam em mudanças abruptas, sou eu o que continuamente
acreditas e resinificas e que agora não mais crê, ainda que não estejas denunciado
em minha face, todavia aparente no que deverás não vêem, nem poderão sentir, e a saber, não é, e nem mesmo serás capaz de prever.
Somente não desacredites, segues ocultamente relutando, e no que hoje é palavra e verbo, apenas ora ou outra aguarda em segredo na divisão mais ínfima do corpo, na divisão da alma e do espirito.
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