A professora Sandra Oliver

SÃO PAULO, 14 DE DEZEMBRO DE 2016 - PARA A PROFESSORA QUE SE APOSENTARÁ

Para Dona Anny!

Uma hora destas na escola em que trabalho quebrantei-me diante o que avistei, era uma mulher que olhava-me de longe e vertia surpresa em seus olhos lágrimas. Carregava no peito algo de principio, um silêncio que a tangia e era tecido ocultamente com a força e a vontade dos alunos que cirandavam e divagavam nos corredores da escola e em lembranças na sala de aula. A mulher que eu observava era a professora  a mesma que semeará durante tantos anos boas sementes, sempre com mesma aparência, olhando por cima dos óculos que suportava sobre o nariz e que toda vez que se pegava atônita com as coisas que avistará, o suspendia novamente ante os olhos. Chocada com tamanha repercussão e beleza do que fizera durante tantos anos, não acreditando que ostentava um jardim tão belo depois de 26 anos de trabalho, que só conhecerá por ter ouvido falar, já que era uma pessoa demasiadamente ocupada com seus afazeres, todavia também, precisa nas escolhas das sementes que outrora plantará, se atentou que os dias de trabalho iam se findando, e que poucos eram os frutos.
De instinto, maturidade e sabedoria aguçada, quase uma fortificação, uma fortaleza, como os castelos medievais, frios, aqueles dos desenhos infantis, o “Castelo de Grayskull” protegido com muralhas, semelhantes a da cidade de Jericó, impossível de ser transposto, intransponível, o  muro que era alto dificultava a sua visão, mesmo assim, continuamente fazia ela o esforço de apoiar-se como uma bailarina nas pontas dos pés, equilibradamente para ver o que já era broto, plantas, frutos e flores. Depois de tantos anos diligentemente regados, ora com ternura, outras com austeridade e brandura, sempre terna, amiúde, e pura, perceberá que suas sementes tinha dado frutos, que pareciam campinas que podia ser avistada por qualquer um que passasse do outro lado, e só ela não enxergava. Era o ventre que havia há tempos parido tantos frutos, que não tinha sido percebido, eram filhos e filhas, como a tantos que caminham meditabundos, e que alegram agora o mundo. Esses novos andarilhos que são seus alunos, que estão a procura e procuram, enfim... saibamos então compreender a sabedoria de Deus, porque se as flores entre a brisa e o sol são admiradas pelo perfume e o colorido que ostentam, tudo isso se deve ao trabalho anônimo das raízes que fora plantadas.
Nesse momento faço um pedido a Santa Mãe do Céu, que cuidai dos seus filhos que aqui ficarão agora deixados pela professora que termina de maneira tranquila seus anos de efetivo trabalho e que nesse momento não podem empregar-se em algo porque já fartos das coisas do mundo apenas divagam, levando com eles essa música funk, com acidentes graves, outras vezes agudos, em boa parte do tempo altissonante, nossas e deles, as vozes, que se cale-fazem, caracterizam-se. São como sopros nas velas de navios grandes, as vezes pequenas de veleiros, são os barcos os meios que transportamos na busca continua da felicidade, os nossos educandos, que como dito por Vicente de Carvalho: Essa felicidade que supomos árvore milagrosa, que sonhamos, toda arreada de dourados pomos, que existe, sim: mas nós não a alcançamos, porque está sempre apenas onde a pomos, e nunca a pomos onde nós estamos.

Embaixo coloquei a música preferida dela,

Corsário!

Meu coração tropical está coberto de neve, mas,
Ferve em seu cofre gelado,
Ventos, sopros, e ventanias,
Pois tornas-te um castelo fortificado,
E mesmo com tantos levantes não o puderam derrubar,
E à voz que vibra, faz da mão um instrumento que escreve mar,
Aonde reside a esperança, tão almejada e temida, projetada no brilho dos olhos e no horizonte, que jamais seremos capazes de abortar.
Bendita lâmina grave que fere a parede e trás,
Traçando traços e itinerários que como tido pelo poeta, são sentimentais,
Que só os guerreiros privilegiadamente carregam em si.
As febres loucas e breves, febres terçãs, que às vezes enlouquecem,
Que mancham o silêncio e o cais.
Roseiras, Roseirais, Nova Granada de Espanha...

Feliz Natal!

>)))))))°>


O menino Jesus Nasceu...


Texto original:


SÃO PAULO, 14 DE DEZEMBRO DE 2016.
Para Dona Anny!
Uma hora destas na escola, quebrantei-me diante o que avistei, era uma mulher que olhava de longe, e vertia em seus olhos surpresa, lágrimas. Carregava no peito algo de principio, um silêncio, e o tecia ocultamente com a força e a vontade dos alunos que cirandam, e divagam nos corredores e em lembranças. A professora, a mesma que semeará durante tantos anos boas sementes, sempre olhava por cima dos óculos, que suportava sobre o nariz, e atônita com que avistará, ficou chocada com tamanha repercussão e beleza do que fizera durante tantos anos, não acreditando que ostentava um jardim tão belo depois de 26 anos de trabalho, mesmo sendo uma pessoa demasiadamente ocupada com seus afazeres, todavia, precisa nas escolhas das sementes, de um instinto aguçado de sabedoria e maturidade, quase uma fortaleza, como castelos medievais Irlandeses, como os dos desenhos infantis, o “Castelo de Grayskull” protegido com muralhas, semelhantes a da cidade de Jericó, impossível de ser transposto, instransponível. O muro era alto e dificultava a visão e mesmo assim fazia ela o esforço de apoiar-se nas pontas dos pés, equilibradamente para ver o que já era broto, plantas, frutos e flores, depois de tantos anos diligentemente regados, ora com ternura, outras com austeridade e brandura, sempre terna, amiúde e pura. Ao longe, depois de muito esforço, pode ver, parecia campinas, podia ser avistado, por qualquer ur que passasse do outro lado, era o ventre que havia há tempos parido tantos filhos e filhas, como a tantos que caminham meditabundos, e que alegram agora o mundo. Esses novos andarilhos que são seus alunos, que estão a procura e procuram. Então, saibamos compreender a sabedoria de Deus, porque se as flores entre a brisa e o sol são admiradas pelo perfume e colorido que ostentam tudo isso se deve ao trabalho anônimo das raízes que fora plantadas. Faço um pedido, a Santa mãe do céu, que cuidai dos seus filhos que aqui ficaram órfãos, deixados agora pela professora que termina de maneira tranquila seus anos de efetivo trabalho. Que não podem empregar-se em algo porque já fartos das coisas do mundo apenas divagam, levando com eles essa música, funk, com acidentes graves, outras vezes agudo, em boa parte do tempo, altissonante, nossas e deles, as vozes que se cale fazem, caracterizam-se, são como velas de navios, grandes, às vezes pequenas de veleiros, barcos são os meios que transportamos na busca que possuímos internamente os educandos. Afinal “Estar alfabetizado é poder transitar com eficiência e sem temor numa intrincada trama de práticas sociais ligadas à escrita.” Disse (Emília Ferreiro). Assim então, de maneira eximia, auxilia de maneira austera, integra o caminho que começarão a trilhar, tão almejado como dito por Vicente de Carvalho: Que essa felicidade que supomos árvore milagrosa, que sonhamos, toda arreada de dourados pomos, que existe, sim: mas nós não a alcançamos, porque está sempre apenas onde a pomos, e nunca a pomos onde nós estamos. 

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