Sol Menor
Tenho sentido falta e faz falta essa parte que percebo ausente. A vontade consciente do outro que foi faz-me hesitar em olhares constantes que projeto em direção ao futuro. Esses sentimentos esvaziados do que não é mais, deixa vestígios de dor e sofrimento que agora já são percebidos pelos que convivem ao medo lado, restando apenas à fé que continuamente carrego, todos os dias, e que pelas manhãs habita-me fertilmente, gerando esperança, trazendo o novo, que dura apenas o período de uma manhã e logo mais a tarde se perde novamente de meus olhos, como o automóvel aligeirado que passa e observo de cima dos arcos acidentados que adornam a cidade e certamente não voltarei a vê-los. Sempre me conduzindo a recordações e a desesperanças por ter perdido o que jamais poderei em outro fantasiar ou encontrar, talvez pela saudade das tardes em sua companhia ou porque agora de maneira súbita e inconsequente, revolto vejo empunhar em suas mãos esse objeto cortante que encravaste em meu peito sem misericórdia, relegando o sentimento que outrora sentia e que por ora não existe mais e que certamente transformas-te em desafeto, magoas tristezas e rancor, do que anteriormente era fraterno sentimento de amor, que agora usa para sacrificar-me. Com mãos sujas de carmim pelo crime que cometerá repetidas vezes, sabendo que possuía controle de minha sanidade e bem estar social, agora perseveras em ver-me abatida e doente a perambular só pelas ruas. Violando-me por consecutivos dias com violências e violentas acusações e lembranças de amores inexistentes, vãos, além de recordações de paixões que são próprias da infância, além de comportamentos infantis que já não nos cabe mais, e que continuamente utiliza-os a fim de ferir, continuando a viver de medos e covardias! Das tentativas de acertos e reconciliações que fiz através de confissões dos erros cometidos involuntariamente, ou ainda, com pouca consciência das consequências futuras, agora os usa, após cada fala e depoimento, que não hesita por malvadamente utiliza-los, a fim de prejudicar-me, além de não medir forças de não os fazer segredos para as pessoas que me cercam e que amo, terminando por machucar-me com ruminações e inverdades que a própria vida já não quer, e você reluta em lembrar e recorda-los incessantemente, ainda que a ame e a proteja como a um relicário que conserva em si o objeto sagrado, uma cocha, um abrigo perfeito a ostra que sai de seu lugar de repouso e que toda vez que se encontra machucada e em perigo, retornando e suplicando abrigo e proteção, ainda que não emitisse uma única palavra. Um baluarte a protegê-la em tempo oportuno, a recuperação, o reencontro a sanidade, para depois torna-la novamente livre a se perder sem vestígios do que possa ter acontecido...
Comentários
Postar um comentário